Todos os meus poemas foram pessoais.
Mesmo que eu os tenha chamado ‘rascunhos arranhados’
E tenha dito que foram feitos de divagações aos bocados,
Todos eles dizem o que um dia eu senti.
E que às vezes ainda sinto.
Na verdade, ainda convivo com aquela sensação de intrusa.
Como se mesmo depois de três anos eu continuasse a ser confusa.
Continuasse a escrever por curiosidade
E as palavras continuassem apenas pela metade.
Palavras essas que escrevia sobre o que sentia, mas que por medo não dizia.
Mas também não vou entrar nessas conversas.
Afinal, do que é que isso interessa?

Até porque poder, eu até poderia fazer tanta outras coisas.
Como sonhar e pensar,
Como escrever tantas outras poesias que nunca serão lidas.
Misturá-las todas num caldeirão de memórias em breve esquecidas.
Escrevê-las em forma de poesia
Entre as horas de melancolia
De uma adulta com uma criança dentro de si que não consegue se calar.
É que eu menti, falar sempre foi comigo.
Eu falo e não me calo, mesmo que diga demasiadas coisas sem sentido.
Como quem não pensa nas palavras, eu só as digo.
Continuo a sorrir e quero acreditar que será mais do que apenas outro sorriso.

Ainda assim, gostaria de ser sincera uma última vez.
Sabem, por vezes ainda sinto a pele queimada.
Ainda ouço as vozes dentro da minha cabeça, as suas vozes sussurradas.
Elas ainda me prendem, enquanto me criticam e acham que me faço de coitada.
Às vezes ainda sinto que nunca serei nada.
Que acabarei resignada com a vida de qual sempre fugi.
Mas sigo por esse caminho que eu própria escolhi.
Por vezes eu me pergunto, enquanto descubro se tenho coragem de recomeçar outra vez.
“Como é que aquela menina de 6 anos reagiria
Ao conhecer-se 14 anos após aquele fatídico dia?
Ao conhecer a sua recente versão.
Ainda solitária, ainda com medo da solidão.”

Mas bem, hoje, depois de tudo isso, dizem que eu sou poeta.
Mais ou menos, mais para “A Menina das Letras”.
Isso porque escrevi uns quantos versos
Sobre sentimentos complexos
Que deixaram os outros perplexos.
Ou terá sido porque os sentimentos eram demasiado diretos?
Sinceramente, não sei e sei que nunca saberei.
Nunca perguntarei de qualquer forma.
Acho que prefiro viver na incógnita
Como se fosse uma verdadeira hipócrita
Que finge que não se questiona...
Que nunca se fez uma única pergunta.

E o engraçado é quando me dizem que carrego o peso do mundo em cima dos ombros.
Peço perdão pelos erros dos outros e me culpo.
Exijo de mim o que nenhuma pessoa exigiria de si.
Sinto demais, penso demais.
Guio-me pelos sentimentos mais irracionais.
Tenho problemas de raiva.
Por uma infância que não tive porque do passado ainda sou escrava.
E isso eu não nego, por isso é que escrevo.
Porque enquanto que as minhas emoções estão descontroladas a destruir outro carrossel.
Escrevo nas estrelas aquilo que tenho medo de escrever no papel.



BN

25.01.2025 | 02h22

sinceramente, bn

Escreve nas estrelas aquilo que tens medo de escrever no papel…



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